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8 de janeiro de 2019

Biquíni de crochê criado por artesã na Bahia é alvo de disputa judicial com costureira turca

Foto Reprodução

Um biquíni criado por uma artesã que mora em Trancoso, distrito turístico do sul da Bahia, é alvo de uma disputa judicial entre ela e uma costureira turca, que lançou um produto idêntico nos Estados Unidos. A história foi mostrada no programa Fantástico de domingo (6). A paulista Solange Ferrarini, que mora em Trancoso, diz que criou a peça de moda praia há 21 anos. Ela alega que o biquíni foi fraudado por IpeK Igit, que já arrecadou cerca de US$ 20 milhões com a a peça. O caso está com a Justiça norte americana. Ferrarini contou que, em 1998, criou um biquíni para usar no forte calor de Trancoso, que é um distrito de Porto Seguro. A beleza e o colorido da confecção chamou a atenção de amigas e turistas, que passaram a fazer encomendas. Desde então, “Solange dos Biquínis”, como é chamada, passou a vender as peças todos os dias pelas praias da região. Em maio do ano passado, a artesã ficou surpresa após descobrir que os modelos criados por ela estavam sendo vendidos por lojas famosas, espalhadas pelo mundo. A atriz australiana, Margot Robbie, e a modelo internacional alemã, Heidi Klum, já foram flagradas vestidas com os biquínis. Foi então que a artesã que trabalha na Bahia descobriu que a costureira turca IpeK Igit lançou, em 2013, nos Estados Unidos, os biquínis semelhantes aos fabricados em Trancoso, com o nome “Kiini”. A turca comprou um biquíni feito por Ferrarini, anos antes, quando esteve no sul baiano. A costureira fechou uma parceria com a amiga e designer Sally Wu, para as produções dos modelos na China. Sally informou à reportagem do Fantástico que Ipek Igit nunca escondeu que copiou o biquíni que comprou na Bahia. “Ela me procurou em 2012, me falou que comprou em uma praia no Brasil e que queria copiar. Insistiu tanto que eu disse “Ok, eu vou fazer uma amostra para você”,

Segundo Sally Wu, a turca mandou fotos do biquíni que deveria ser copiado. Em uma delas, é possível presenciar o número de contato de Solange Ferrarini, no elástico do biquíni. As peças feitas por Solange não possuem etiquetas. No elástico colorido constam o nome da empreendedora, o contato e o local onde foi produzido. Os biquínis são vendidos em Trancoso por R$ 500. “Como é que uma pessoa pode copiar uma peça assinada, com data e tudo. Com número de telefone e tudo. Não poderia fazer uma parceria comigo?”, questionou a artesã paulista.

Em 2018, a designer Sally Wu desfez a parceria com a empresária e costureira Ipek Igit, após uma série de desentedimentos. “Eu falei para ela que o negócio dela tinha sido construído a partir de uma fraude. Ela ameaçou a me processar por difamação e eu disse que a verdade não era difamação”, contou Sally Wu. Em maio de 2018, uma dona de uma marca americana de praia procurou Solange Ferrarini para vender biquínis parecidos, mas se propôs a pagar por isso e ajudar a paulista a entrar na justiça dos Estados Unidos. A empresária aceitou e processou Ipek Igit. “Ela confiou que a senhora Ferrarini não descobriria nada porque mora em um lugar distante e remoto, mas esse não é o mundo em que vivemos hoje”, explicou a advogada Michelle Rutherford. De acordo com Michelle Rutherford, a previsão é de que o processo dure seis meses. “Vamos pedir de US$ 3 a US$ 5 milhões. Esse é o nosso palpite com base nas vendas do Kiini”, disse a advogada. A equipe do Fantástico tentou contato com Ipek e seus advogados, mas não recebeu retorno


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