18-02-2016

Amamentação previne alergias e intolerâncias na infância

Imagem Reprodução

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Poucos meses após o parto, a publicitária Priscila Brasileiro percebeu que Bárbara sofria com as cólicas constantes e que Gabriel parou de ganhar peso e apresentava refluxo. Após vários exames, os gêmeos, hoje com dois anos e meio, foram diagnosticados com alergia à proteína do leite. Os irmãos fizeram tratamento e já estão livres do problema. A alimentação é normal, mas Priscila lembra do sufoco que passou, principalmente no caso do Gabriel. “Acredito que a alergia dele foi mais forte porque o Gabriel não mamou no peito”, disse ela. O menino não pode mamar devido a uma pequena complicação no parto. A análise da publicitária, segundo a pediatra do Hapvida, Roberta Martins, está correta: a amamentação inadequada dos bebês aumenta a probabilidade de a criança desenvolver alergia ou intolerância à lactose. “Cada vez mais, as alergias estão se tornando precoces porque, muitas vezes, o aleitamento materno não é o adequado. A mãe, com um ou dois meses, já introduz o leite ‘artificial’.Se a criança fosse amamentada exclusivamente até os seis meses, ela não desenvolveria a alergia”, afirma a médica. A também pediatra do Hapvida, Germana Denes observa ainda que o leite da mãe ajuda na prevenção de outras doenças, além da alergia à lactose. “O aleitamento previne alergias em geral, obesidade, hipertensão e várias outras doenças. É a primeira vacina da criança”, explica a especialista. Alergia e intolerância: Segundo as especialistas, a diferença entre alergia e intolerância é o tipo de resposta que o organismo tem quando está em contato com o alimento. Na alergia, há uma resposta imunológica imediata e mais intensa, com sintomas mais agressivos, enquanto na intolerância o organismo não consegue digerir ou metabolizar o alimento. “A intolerância, geralmente, não se manifesta tão cedo. A criança vai desenvolvendo sintomas que denotam a deficiência de alguma enzima”, afirma a pediatra Roberta Martins. A alergia é mais comum do que a intolerância. Sintomas e tratamento: Os principais sintomas da alergia alimentar na infância são diarreia, inchaço na barriga, dor abdominal, cólicas, enjoo, vômito, placas avermelhadas na pele e inchaço dos lábios, olhos e língua. No caso da intolerância, a dor abdominal moderada é o mais comum. “É importante que os pais estejam sempre atentos aos sintomas e procurem o especialista imediatamente”, ressalta a médica Roberta Martins. A pediatra afirma que, num primeiro momento, a forma adequada de tratamento é a exclusão do alimento da dieta da criança. “Existem outros tipos de leite, com fórmulas hidrolisadas, sem proteína, sem lactose, que podem substituir o tradicional”, destaca Roberta. Aos poucos, e com acompanhamento médico, o leite pode ser reintroduzido na dieta da criança. Outros alimentos : De acordo com a nutricionista Tanara Ferreira, do Hapvida, além do leite de vaca, as alergias alimentares podem se desenvolver por meio do trigo, soja, ovos, amendoins, castanhas e frutos do mar. Por isso, segundo ela, esses alimentos não podem ser inseridos precocemente na rotina alimentar das crianças. “Após o sexto mês de vida, os pais devem iniciar pelas frutas, cereais, verduras, carne vermelha, frango e feijão. Do sétimo ao 11º mês, alimentos como papa salgada e ovos, gradativamente, podem passar a compor a dieta da família”, explica a nutricionista. Grupos de discussão: Após aparecer os sintomas de alergia à lactose nos filhos Bárbara e Gabriel, Priscila Brasileiro passou a frequentar grupos de discussão sobre o assunto e criou um blog para incentivar a troca de ideias com outros pais.

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